terça-feira, 3 de maio de 2011

PIDA - parte 3


          À  tarde quando tinha futebol  no Campo “Aloísio Vasconcelos”, eu ficava na porta vendo o movimento das pessoas. Daqui a pouco vinha passando o carrinho de picolés, batendo a tampa da gaveta de guardar o dinheiro e gritando:

·         Óia o picolé. Tem de côco, morango, maçã e todos os sabores. Se quiser pidir, pida !

          Era muito simpático o nosso Pida. Passou a vida inteira vendendo alegria e mostrando uma felicidade estampada em seus dentes ausentes bem na frente da boca. Um 1001 perfeito! Dentro do estádio era um festival gastronômico de comidas típicas: Cachorros-quentes, pastéis, flaus, confeitos, roletes de cana, amendoim com açúcar, picolé  redondos do Seu Frederico e sorvetes de casquinha, que tinha o sabor, Deus me perdoe, de hóstia (a casquinha!). O cachorro-quente era vendido em rodelas de pão francês. Eu gostava daquela fatia do final do pão. O Ronaldo, meu tio sapo, era viciado nesse tipo de cachorro quente. Ele gostava com bastante pimenta. Era carne moída bem temperada com muitas e muitas batatinhas amassadas e tomates e pimentões cortados em cubinhos. Para beber era o famoso Flau. Um refresco servido dentro do saquinho bem gelado, com um desenho de um garoto na frente, com um canudo de plástico preso horizontalmente e um picote com duas palavras: “fure aqui”. Eu mordia o canudo na ponta para o líquido sair bem devagarinho e demorar pra acabar. Depois de bebê-lo, enchia o saquinho soprando, botava no chão e... pooooollllllllll Estourava ele com o pé. E o sabor... delicioso de uva ou tangerina. E se tivesse tão gelado que formava gelo dentro, estava no ponto.

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