Lembro dos finais de tarde, quando papai, mamãe e meus irmãos íamos até a calçada chupar cana caiana. Papai comprava aquela cana enorme, cortava em pedaços e todos ficávamos observando a habilidade dele em descascar com a peixeira e cortar em rolos para chuparmos. Uma delícia. Até os “nós” da cana não escapavam. As laranjas papai conseguia descascar até o fim com uma faca afiada sem romper a casca. Eu achava aquilo de uma destreza enorme. Daí jogávamos no fio elétrico para pendurá-las (até hoje não sei qual a razão disso!). Falando em comida, lembro minha mãe na cozinha com a pia besuntada de manteiga, aquele cheiro gostoso, esfriando os puxa-puxas. Enrolávamos em um papel manteiga, depois de esfriar e nos lambuzávamos daquele doce delicioso. Para dividir com algum amigo ou irmão, quebrávamos a “puxa-puxa” na quina do meio-fio da calçada. Era o melhor lugar para fazer isso. Infalível! Cortava certinho.
Outras vezes aos domingos, mamãe cansada das tarefas do dia-a-dia resolvia que não almoçaríamos aquele almoço tradicional (galeto assado inteiro no forno , com maionese caseira, farofa, arroz e macarrão, acompanhado de refrigerantes e ... cajuína) e sim lancharíamos. Era uma festa. Tinha pão francês quentinho da Padaria do Seu Ponciano, caldo-de-cana, alface, tomate e cebola. Abríamos uma lata de mortadela, com a chave que vem nela (eu nunca sabia qual a direção certa a seguir com a chave e fatalmente quebrava o lacre, aí tome trabalho prá abrir com a ponta da peixeira), fatiava e fritava com um pouco de óleo. Sim, porque naquela época a mortadela podia ser fatiada sem esfarelar, como as de hoje em dia. Era o sanduíche mais gostoso do mundo e o melhor almoço também.
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