Viçosa - De Volta ao Passado
terça-feira, 10 de maio de 2011
HERÓIS DA TV
Os nossos heróis daquele tempo nos divertiam na TV preto-e-branco e nos gibis. Eram bem diferentes dos de hoje. Na TV tinha de Durango Kid, um caubói que "voava" na pista de areia com seu cavalo branco, chapéu cinza e um lenço preto que cobria o seu rosto a partir do nariz prá baixo, tipo Feiticeira. Não sei como o lenço não caía com aquele vento todo no rosto. Tinha o Zorro de capa e espada, e seu eterno inimigo o Sargento Garcia; tinha desenho animado, como por exemplo Os Herculóides, e ainda a grande série Perdidos no Espaço, com o chato do Dr. Smith e o Robô (perigo, perigo!!!). Tinha também Daniel Bum, O caubói Zorro e o índio Tonto (aiôôô Silver !) e o cachorro Rin-tin-tin. Nos gibis eu adorava aqueles do Tarzan, principalmente os preto-e-branco; todos os Almanaques Abril, o príncipe Namor e o incrível Hulk. Além de Thor. Tínhamos tantos gibis que o papai um dia teve a infeliz idéia de perfurá-los, com aquele perfurador enorme emprestado da Prefeitura de Viçosa e juntá-los amarrando um cordão, para não ficar espalhados pela casa. Assim ficou um enorme almanaque bem misturado com todos o tipos de gibis. Uma verdadeira salada de desenhos. Foi bom e ruim ao mesmo tempo, porque quando perdemos, foram todos os gibis ao mesmo tempo. Que pena que não guardei isso pros meus filhos terem vistos hoje em dia. Garanto que eles iam adorar, já que hoje só se salvam os da Turma da Mônica.
domingo, 8 de maio de 2011
O PIJAMA NA SAULA DE AULA
O PIJAMA NA SALA DE AULA
O nosso Colégio de Assembléia é outra das lembranças boas que tenho. Os professores, os grêmios (eu fui secretário da turma), a lanchonete (o Vô com seus sanduíches de queijo do reino de fatias tão finas que dava prá traçar o mapa do Brasil do outro lado - como dizia o bom finado Bodero- acho até que foi o Vô quem inventou aquele fatiador de queijo manual), a quadra onde ensaiava a banda e no final do corredor aquele local que dava para a quadra e o campo de futebol lá embaixo. Neste mesmo colégio tinha uma aula que começava às 6:00 horas da manhã, você acredita? E era aula de Matemática com o Professor Arnaldo. Um dia o Miltinho acordou em cima da hora, lavou o rosto, escovou os dentes e correu prá aula sem tomar nem o café. Mais tarde eu fui até a sala dele, pedí licença ao professor Arnaldo e falei:
· Miltinho, mamãe disse que fosse em casa tirar a camisa do pijama !!!
Ele ficou morto de vergonha, todo descabriado. Só aí veio perceber que na pressa estava ainda com a camisa de pijama.
Outro episódio negativo que me lembro da minha infância foi quando sofri um acidente brincando de corre-corre e pega-pega. Ao fazer a curva na calçada da esquina da casa do Seu João Viana, bati com minha boca na cabeça do filho de seu Darci. Foi um corte imenso, eu que já tinha o lábio inferior grande, onde meu apelido já era "beiço- de-sola", ficou enorme! A sorte é que tinha um médico competente de plantão no Hospital de Viçosa, o Dr. Eudes e minha mãe me levou lá e levei não-sei-quantos-pontos.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
SÃO JOÃO - parte 5
Eu me lembro agora, da época de S. João. Acho que quem mais gostava era o meu pai. Primeiro porque ele passava o dia inteiro fazendo a fogueira caprichosamente, arquitetonicamente, dava gosto ver. Era realmente uma linda fogueira. Em cima do guarda-roupas do quarto da gente ele já tinha comprado uma quantidade exagerada de fogos: bombas de cem, estalos bebês, diabinho, traques no pó de serra (pense na sujeira), mosquitos sem estouros, coqueirinhos (haja tosse no quarto escuro!) chuvinhas e, os fogos que ele mais se empolgava – foguetes! Tomávamos o café da noite, com a mesa repleta de pães, cuscuz, charque, ovos mexidos, bolachas 7 capas (quem conseguia comer sem sujar a mesa inteira?) e o leite da vacaria quentinho. Ansiosos e rápido terminávamos de comer para acender a fogueira, afinal mamãe já estava com o milho verde pronto para depois que as brasas aparecessem, assá-los. Então, já vinha ele, papai, do quintal, na ponta dos pés em direção a porta de entrada, com um litro de querosene numa mão e uma caixa de fósforo marca Olho (que era aquela em que os palitos a gente conseguia acendê-los riscando na calçada) na outra para dar vida à fogueira. Todo mundo na porta, aquela meninada, e o papai sofrendo para acender, mas ele conseguia sempre uma hora e meia depois. E era lindo de se ver o fogo subindo. Daí, ao primeiro pau com brasa na ponta, os fogos tomavam conta da rua e a luz brilhava e enfeitava à noite de S.João... saudades daqueles tempos.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
CANA, LARANJAS, PUXA-PUXA E ALMOÇO DOMINGO - parte 4
Lembro dos finais de tarde, quando papai, mamãe e meus irmãos íamos até a calçada chupar cana caiana. Papai comprava aquela cana enorme, cortava em pedaços e todos ficávamos observando a habilidade dele em descascar com a peixeira e cortar em rolos para chuparmos. Uma delícia. Até os “nós” da cana não escapavam. As laranjas papai conseguia descascar até o fim com uma faca afiada sem romper a casca. Eu achava aquilo de uma destreza enorme. Daí jogávamos no fio elétrico para pendurá-las (até hoje não sei qual a razão disso!). Falando em comida, lembro minha mãe na cozinha com a pia besuntada de manteiga, aquele cheiro gostoso, esfriando os puxa-puxas. Enrolávamos em um papel manteiga, depois de esfriar e nos lambuzávamos daquele doce delicioso. Para dividir com algum amigo ou irmão, quebrávamos a “puxa-puxa” na quina do meio-fio da calçada. Era o melhor lugar para fazer isso. Infalível! Cortava certinho.
Outras vezes aos domingos, mamãe cansada das tarefas do dia-a-dia resolvia que não almoçaríamos aquele almoço tradicional (galeto assado inteiro no forno , com maionese caseira, farofa, arroz e macarrão, acompanhado de refrigerantes e ... cajuína) e sim lancharíamos. Era uma festa. Tinha pão francês quentinho da Padaria do Seu Ponciano, caldo-de-cana, alface, tomate e cebola. Abríamos uma lata de mortadela, com a chave que vem nela (eu nunca sabia qual a direção certa a seguir com a chave e fatalmente quebrava o lacre, aí tome trabalho prá abrir com a ponta da peixeira), fatiava e fritava com um pouco de óleo. Sim, porque naquela época a mortadela podia ser fatiada sem esfarelar, como as de hoje em dia. Era o sanduíche mais gostoso do mundo e o melhor almoço também.
terça-feira, 3 de maio de 2011
PIDA - parte 3
À tarde quando tinha futebol no Campo “Aloísio Vasconcelos”, eu ficava na porta vendo o movimento das pessoas. Daqui a pouco vinha passando o carrinho de picolés, batendo a tampa da gaveta de guardar o dinheiro e gritando:
· Óia o picolé. Tem de côco, morango, maçã e todos os sabores. Se quiser pidir, pida !
Era muito simpático o nosso Pida. Passou a vida inteira vendendo alegria e mostrando uma felicidade estampada em seus dentes ausentes bem na frente da boca. Um 1001 perfeito! Dentro do estádio era um festival gastronômico de comidas típicas: Cachorros-quentes, pastéis, flaus, confeitos, roletes de cana, amendoim com açúcar, picolé redondos do Seu Frederico e sorvetes de casquinha, que tinha o sabor, Deus me perdoe, de hóstia (a casquinha!). O cachorro-quente era vendido em rodelas de pão francês. Eu gostava daquela fatia do final do pão. O Ronaldo, meu tio sapo, era viciado nesse tipo de cachorro quente. Ele gostava com bastante pimenta. Era carne moída bem temperada com muitas e muitas batatinhas amassadas e tomates e pimentões cortados em cubinhos. Para beber era o famoso Flau. Um refresco servido dentro do saquinho bem gelado, com um desenho de um garoto na frente, com um canudo de plástico preso horizontalmente e um picote com duas palavras: “fure aqui”. Eu mordia o canudo na ponta para o líquido sair bem devagarinho e demorar pra acabar. Depois de bebê-lo, enchia o saquinho soprando, botava no chão e... pooooollllllllll Estourava ele com o pé. E o sabor... delicioso de uva ou tangerina. E se tivesse tão gelado que formava gelo dentro, estava no ponto.
COMERCIAL FUTEBOL CLUBE - parte 2
COMERCIAL FUTEBOL CLUBE
Adorava ver o time do Comercial jogar e ver a alegria dos torcedores símbolos, como: João Moinha, Pilão e Sabido. O João Moinha era maneta no braço esquerdo, fruto de uma explosão de bomba no jogo de futebol. Dizem que ele estava com o rádio na mão direita e a tal bomba de 100 enorme na mão esquerda, na alegria incontrolável do gol do Comercial, ele acendeu a bomba e ...jogou o rádio ! Todos gritavam tentando alertá-lo mas não deu tempo. Resultado: maneta. O Comercial era um time de craques onde os grandes times de Maceió, como CRB, CSA, S. Domingos, Ferroviário e outros do interior, como o AGA e o ASA de Arapiraca ou mesmo o CSE de Palmeira dos Índios, suavam para ganhar de nosso time, quase sempre saíam derrotados. O nosso Comercial, que meus olhos veem agora, tinha um terno bem amarelinho, igual a cor da Seleção Brasileira, chega brilhava ao sol, com calções azuis e meias brancas. Sempre o Evilásio, capitão do time, ia à frente segurando a bola, com uma “sunga” preta aparecendo entre o calção e a camisa impecavelmente vestida. O time ia entrando em fila indiana e o Evilásio dava um chutão na bola pro alto. Tinha o goleiro Zé Martins ou o Zau, tinha os defensores como o grande Til, o Zé Maria, zagueiro que nunca batia em ninguém, tirava a bola numa categoria impressionante, tinha também o Carlos Moreno, lateral, o Jacaré, com sua incrível habilidade de driblar e dá um toquinho de calcanhar para tráz; o Gaspar, grande e promissor craque, era o galã da meninas, o Mata Sete, ponteiro direito habilidoso, era o nosso Jairzinho, o Ialdo, pequeneninho e rápido ponteiro esquerdo, habilidosíssimo sempre cruzava a bola na cabeça do nosso centroavante, o “matador” Nino, centroavante de um chute indefensável. Além dos craques que jogavam no Comercial mas não eram da Viçosa, como: Canguru (feio de doer), Confeito (jogava prá torcida balas sortidas), Paranhos, o "tesourinha", disparado o melhor jogador que eu já ví jogar em Viçosa, mesmo com aquelas pernas tortas e o Zé Raimundo do CSA, futuro dentista, que adorava fazer firulas para a platéia se deliciar. Uma vez, jogando pelo Comercial, ele driblou meio time e depois sentou no chão e ficou fazendo embaixadinhas na bola. A torcida foi ao delírio. São lembranças maravilhosas. Uma pena que eu não tinha nascido quando meu pai foi um craque do Comercial. Um exímio cabeceador. Ele conta que a torcida apostava se aquele cruzamento iria virar um lindo gol de cabeça do Prof. Milton. Também com aquela testa! Lembro dele jogando no time de veteranos, que tinha o nome de Milionários. O Roney jogava nesse time. Era uma comédia, porque a torcida pegava no pé dele e ele ficava dando banana prá ela. Quando pegava na bola, ele podia estar no meio do campo ou mesmo na entrada da área, mas sempre corria prá direita, bem no cantinho prá cruzar na área. A torcida enlouquecia...
Adorava ver o time do Comercial jogar e ver a alegria dos torcedores símbolos, como: João Moinha, Pilão e Sabido. O João Moinha era maneta no braço esquerdo, fruto de uma explosão de bomba no jogo de futebol. Dizem que ele estava com o rádio na mão direita e a tal bomba de 100 enorme na mão esquerda, na alegria incontrolável do gol do Comercial, ele acendeu a bomba e ...jogou o rádio ! Todos gritavam tentando alertá-lo mas não deu tempo. Resultado: maneta. O Comercial era um time de craques onde os grandes times de Maceió, como CRB, CSA, S. Domingos, Ferroviário e outros do interior, como o AGA e o ASA de Arapiraca ou mesmo o CSE de Palmeira dos Índios, suavam para ganhar de nosso time, quase sempre saíam derrotados. O nosso Comercial, que meus olhos veem agora, tinha um terno bem amarelinho, igual a cor da Seleção Brasileira, chega brilhava ao sol, com calções azuis e meias brancas. Sempre o Evilásio, capitão do time, ia à frente segurando a bola, com uma “sunga” preta aparecendo entre o calção e a camisa impecavelmente vestida. O time ia entrando em fila indiana e o Evilásio dava um chutão na bola pro alto. Tinha o goleiro Zé Martins ou o Zau, tinha os defensores como o grande Til, o Zé Maria, zagueiro que nunca batia em ninguém, tirava a bola numa categoria impressionante, tinha também o Carlos Moreno, lateral, o Jacaré, com sua incrível habilidade de driblar e dá um toquinho de calcanhar para tráz; o Gaspar, grande e promissor craque, era o galã da meninas, o Mata Sete, ponteiro direito habilidoso, era o nosso Jairzinho, o Ialdo, pequeneninho e rápido ponteiro esquerdo, habilidosíssimo sempre cruzava a bola na cabeça do nosso centroavante, o “matador” Nino, centroavante de um chute indefensável. Além dos craques que jogavam no Comercial mas não eram da Viçosa, como: Canguru (feio de doer), Confeito (jogava prá torcida balas sortidas), Paranhos, o "tesourinha", disparado o melhor jogador que eu já ví jogar em Viçosa, mesmo com aquelas pernas tortas e o Zé Raimundo do CSA, futuro dentista, que adorava fazer firulas para a platéia se deliciar. Uma vez, jogando pelo Comercial, ele driblou meio time e depois sentou no chão e ficou fazendo embaixadinhas na bola. A torcida foi ao delírio. São lembranças maravilhosas. Uma pena que eu não tinha nascido quando meu pai foi um craque do Comercial. Um exímio cabeceador. Ele conta que a torcida apostava se aquele cruzamento iria virar um lindo gol de cabeça do Prof. Milton. Também com aquela testa! Lembro dele jogando no time de veteranos, que tinha o nome de Milionários. O Roney jogava nesse time. Era uma comédia, porque a torcida pegava no pé dele e ele ficava dando banana prá ela. Quando pegava na bola, ele podia estar no meio do campo ou mesmo na entrada da área, mas sempre corria prá direita, bem no cantinho prá cruzar na área. A torcida enlouquecia...
segunda-feira, 2 de maio de 2011
VIÇOSA DAS ALAGOAS - parte 1
Ontem resolvi visitar o meu passado e senti uma felicidade imensa e uma saudade tamanha, da minha infância. Como era gostoso aquilo tudo e como era tão simples.
Minha velha e querida Viçosa. A “princesa da Matas”. Vi aquelas ruas receberem os primeiros tratores de “esteira” rasgando e cortando o barro, para depois serem colocados os primeiros paralelepípedos (eita que palavra difícil). Ficava eu, menino, horas e horas a admirar aquelas máquinas, o cheiro de óleo diesel e vendo a habilidade daqueles homens colocando pedra-a- pedra, como se fosse um imenso quebra-cabeça e formando aquelas ruas que até hoje estão lá, eles davam pequenas batidas e preenchiam os espaços entre as pedras com um cimento bem líquido despejados numa caneca de lata amassada com a forma de um “bico”...
Morei em várias casas lá em Viçosa. Gente do interior se muda muito! Que eu me lembre, morei em 3 casas diferentes. Uma na rua do Cravo, logo depois do posto de combustível que fica após o trilho do trem. Essa casa era muito simples e logo na entrada tinha uma área onde tinha duas pilastras baixas onde mamãe colocava jarros para enfeitar. A outra casa ficava na rua do Campo, a Juarez Távora, onde fizemos grandes amigos que moravam vizinhos a gente, como D. Rosália, Lula "Image", Delba, Ebinho, Pica-Pau, Lila e Xande. A terceira rua foi a Mota Lima. Essa morei bastante tempo.
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